Quem foi Chiara Lubich?


Chiara Lubich (1920-2008) nasceu em Trento, uma cidade do norte da Italia. No cenário de destruição da segunda guerra mundial, Chiara, com pouco mais de vinte anos, descobre Deus em sua essência: Amor. Deus lhe aparece como aquele que não passa; que nenhuma guerra pode destruir.  Escreve: “A cada dia, novas descobertas: o Evangelho se tornava o nosso único livro, a única luz de nossa vida”. Encontrava-se com um pequeno grupo de jovens em um refúgio antiaéreo, e liam juntas o Testamento de Jesus: ‘Que todos sejam um’. Ela fala desse episódio em uma entrevista:

“Uma das primeiras ideias surgiu quando líamos o Evangelho, à luz de uma vela. Abrimos por acaso no Testamento de Jesus. Aquelas palavras: ‘Que todos sejam um’ pareciam iluminadas por uma nova luz e se tornaram o objetivo da nossa vida: levar a unidade lá onde quer que haja divisão. Desde os primeiros dias, intuíamos que estava nascendo alguma coisa universal, que alcançaria os confins do mundo e que também iluminaria a cultura, a ciência, a política, a economia”.

Lideranças de diferentes igrejas cristãs que conheceram Chiara pessoalmente, reconheceram que a ela foi confiado um carisma peculiar, o carisma da unidade. Como todos os carismas, é um dom do Espírito Santo para toda a humanidade.

Do pequeno grupo que seguia Chiara em Trento, nasce um amplo movimento de revitalização espiritual e social que dialoga com múltiplas culturas e diferentes credos. Hoje, o Movimento dos Focolares conta com mais de dois milhões de pessoas e atua em 194 países, com o objetivo de contribuir para compor a unidade e a paz na família humana. E - como Chiara havia intuído ainda nos anos ‘40 – esse carisma teria um potencial inovador, e também um valor cultural que seria reconhecido por centros acadêmicos em todo o mundo. 

Em 1996, a UNESCO confere a Chiara o Prêmio “Educação para a Paz” (1996) e o Conselho da Europa, o Prêmio Direitos Humanos (1998). Recebeu o doutorado honoris causa em mais de uma dezena de centros acadêmicos, tais como: Ciências Sociais (1996), da Universidade de Lublin, na Polônia; Teologia, nas Filipinas e Taiwan (1997), na Eslováquia (2003) e na Grã Bretanha (2008); Comunicação Social, na Tailândia (1997); Ciências Humanas, nos Estados Unidos (1997); Filosofia, no México (1997); Ciências Interdisciplinares, na Argentina (1998); Economia, na Itália (1999); Psicologia, em Malta (1999); Pedagogia, nos Estados Unidos (2000); Arte, na Venezuela (2003); Teologia da vida consagrada, em Roma (2004).

Em 1991, no Brasil - um país em que a sua obra se difundiu desde 1958 - Chiara lançou a   “Economia de Comunhão”, com o objetivo de contribuir para enfrentar os desafios do grave desequilíbrio social no país. A EdC também tem interessado ao mundo acadêmico e a estudantes de áreas afins, em vários países. Centenas de teses de mestrado e doutorado foram apresentadas em universidades do Brasil e no exterior.

A UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco – por ocasião da visita de Chiara, em 1998, conferiu-lhe a laurea honoris causa em economia: “Chiara Lubich é a inspiradora da Economia de Comunhão, que nasceu de uma rica espiritualidade que leva a viver o Evangelho intensamento e faz com que inunde o mundo social e econômico, transformando a feroz competição capitalista numa sinfonia humana de comunhão” afirmou o reitor Pe. Theodoro Peters. Naquele mesmo ano, a Presidência da República lhe conferiu o título de Grande Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Ainda em 1998, Chiara foi agraciada pela PUC de São Paulo, com o título Doutor em Humanidades – Ciências da Religião, e a Universidade de São Paulo-USP conferiu-lhe a Medalha ao Mérito. Na oportunidade, o então deputado, André Franco Montoro, reconheceu a sua “contribuição histórica para o movimento universal de renovaçao de valores no mundo contemporâneo”. O reitor, Jacques Marcovich, a definiu “um dos mais expressivos líderes religiosos e sociais deste século”.

Na sua juventude Chiara era apaixonada pela busca da verdade, e a procurava na filosofia. Inscreveu-se na Universidade de Veneza, mas a guerra a impediu de continuar seus estudos. Depois – como ela mesma conta – uma voz (infiltrou-se) falou ao seu coração: «Serei eu o teu mestre».  Em uma carta ela escreve: “...eu sou uma alma que passa por este mundo. Vi muitas coisas belas e boas, e fui sempre atraída somente por elas. Um dia (dia indefinido) vi uma luz. Pareceu-me mais bela do que as outras coisas belas e a segui. Percebi que era a Verdade”.

Poucos anos mais tarde, no verão de 1949, aquela verdade se lhe apresenta em um modo particularmente luminoso. Inicia-se um período de dons extraordinários, preparado por uma profunda vida do Evangelho praticado em diversos anos. Com o passar do tempo foi amadurecendo a impressão de que aquela luz abriria um novo modo de ler e de interpretar a realidade – a existência, a lei e a vida do universo, e que seria necessário traduzir essa compreensão através de várias ciências.

Em 1990 Chiara dá início à “Escola Abba”, um centro de estudos interdisciplinar que abrange um grande leque de ciências exatas e humanas, a fim de contribuir com ‘um novo humanismo’. Este empenho foi assumido tambem pelo Instituto Universitário Sofia (Loppiano, próximo à Florença, Itália), de abrangência internacional. Foi a sua última fundação. Jà estava doente e faleceu um mês depois.  

No âmbito cultural, a partir do ano 2000 surgiram redes internacionais de estudiosos, profissionais e estudantes, que aprofundam específicas disciplinas e promovem congressos, cursos de formação e publicações. Essas redes têm diferentes denominações: Social One:ciências sociais em diálogo; Eco-One: união de ecologistas; Clarté: artistas em diálogo; Medicina Diálogo e Comunhão; Comunhão e Direito; Sportmeet for a united World (Encontro esportivo para a união do Mundo); NetOne: mídia e união do Mundo; Edu: Educação e unidade. Outras redes, com efetivo desempenho, são aquelas do setor econômico: EdCMovimento por uma Economia de Comunhão” e “MPPU:Movimento Político pela Unidade”.

Desde os anos ’50, também surgiram as editoras e revistas do grupo “Città Nuova” (no Brasil: Editora Cidade Nova), com ramificações em 37 países.